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[filme] 500 dias com ela (500 days of Summer, 2009)

500diascomela
POR : Lucas Procópio
500diascomela_imagem1“(500) Dias Com Ela é único, tem seu frescor e sua marca”

Tom Hansen cresceu acreditando que não seria feliz até encontrar o amor de sua vida. Summer Finn não compartilhava dessa crença e a coisa que mais amava era seu longo cabelo negro e a facilidade com que podia corta-lo sem sentir culpa. Summer começa a trabalhar como secretária do chefe de uma empresa de cartões de felicitação. Um dos criadores desses cartões é Tom. Tom se apaixona por Summer. Summer não se apaixona por Tom.

Os 500 dias do título referem-se ao período de Summer na vida de Tom, e é também a base da estrutura narrativa do roteiro, que assume a não-linearidade desde o início, selecionando dias aleatórios ora para complementar, ora para contrastar, ora para enfatizar os eventos que vão formando o raciocinio proposto acerca do relacionamento entre duas pessoas de diferentes ideologias. Nesse aspecto o filme consegue um feito que já o coloca figurando entre os grandes títulos do romance no cinema: ser racional sem amargura na composição. Pelo contrário. Tudo no filme é muito, mas muito adorável e encantador.

Os créditos vão metade para o espertíssimo roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber, e metade para o estreante na direção Marc Webb. Enquanto o roteiro cumpre sua proposta da forma mais graciosa possível juntamente com diálogos adoráveis, Webb se mostra um diretor e tanto, com um ritmo invejável e um controle sobre a estética de fazer cair o queixo – e isso sem nunca parecer forçado.

Seguindo a narrativa irregular do roteiro, Webb passeia pelos mais diversos estilos e brinca com tudo que está ao seu alcance, sorrateiramente confeccionando um estilo único e próprio ao filme.

O texto flerta com a metalinguagem, mas ela logo é substituída por um elemento de mais ampla identificação com o público em geral: os cartões que Tom cria é onde está alegorizada sua idealização que aos poucos vai perdendo suas camadas de deslumbre. São sacadas como essa, juntamente com a criatividade latente de Webb que o público é conduzido por lugares divertidíssimos e originais. A estrutura, o ritmo e a proposta lembram, e muito, “Noiva Nervosa Noivo Neurótico” de Woody Allen, com a inserção da semiótica explícita e exarcebada na composição da estrutura irregular, incluindo-se aí o fluxo de consciência. Mas, por maior que seja a inspiração no clássico de ‘77 e por mais que identifique-se elementos em comum entre os dois longas, (500) Dias Com Ela é único, tem seu frescor e sua marca.

Tudo no filme funciona, ainda que alguns elementos com maior brilho que outros, porém todos os personagens estão ali com algum propósito e, na prática, seus intérpretes correspondem com carisma e competência. Os dois protagonistas fazem uma conexão quase que imediata com o público. Joseph Gordon Levitt ofusca um pouco Zooey Deschanel, mas ambos compõe seus personagens com placidez e naturalidade, sem arroubos de excentricidade, tão típicos de filmes indie, e saem-se muito bem.

Esqueça o famigerado rótulo “filme água-com-açucar”. Não consigo me recordar de romances, nessa década, tão encantadores e inteligentes dentro de suas propostas, tampouco quero ser pragmático, mas creio que (500) Dias Com Ela já figura um adorável top de filmes que nos fazem querer suspirar e sorrir. É um filme tanto para os Tom’s e Summer’s da vida real: um filme apaixonado e apaixonante.

excelente

Para conferir vídeos, álbum de fotos, curiosidades, informações e mais sobre o filme : www.xcine.com.br/filme_500diascomela.html


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