
“Comédia para homens rirem das mulheres – que por vezes vão ao cinema para rirem de si mesmas.”
Abby é uma produtora de tv muito competente e controladora, porém os números do ibope de seu programa estão cada vez mais baixo. Desesperado, seu chefe contrada um apresentador de tv polêmico para conseguir audiência. O problema é, Mike Chadway é a representação do macho primitivo e seu programa é justamente sobre isso: escancarar “A Verdade Nua e Crua” sobre homens, mulheres e o sexo entre as duas raças.
Abby, que idealiza o homem perfeito, acaba odiando tudo isso e compra uma briga com Mike. É então que ele propõe uma aposta, se suas dicas não funcionarem e Abby não conseguir fisgar o vizinho em quem está de olho, Mike se demite. Abby topa e aí começam os problemas do filme.
Por ser uma comédia romântica, obviamente, seguindo a fórmula, os dois se apaixonarão ao final do filme. O que diferencia este filme dos outros é os absurdos machistas que o roteiro comete: Mike começa a moldar Abby de forma que ela agrade o vizinho “perfeito” (gosta de vinho, limpa os dentes com fio dental, é bonito, etc.) – que ao longo do filme vai mostrando-se um machista tão estereotipado quanto a idealização de homem perfeito – e Mike só se dá conta de que se apaixonou por Abby quando ela já está moldada como a mulher perfeita, ou seja, o contrário do que era antes.
Logo, segundo o roteiro escrito por, pasme, três mulheres, uma mulher não pode ser uma boa profissional preocupada com o trabalho porque isso desviaria o foco do que realmente é importante para as mulheres, o amor. Porque o trabalho faz da mulher uma pessoa amarga, afinal elas foram feitas para amar e constituir família, para serem dóceis e prestativas e só assim, juntamente com uma dose de vulgaridade para excitar e manter o relacionamento, um homem pode se apaixonar por elas.
O terceiro ato esboça uma tentativa tímida de mudar isso, mas não consegue, pelo contrário, piora a situação de forma velada. A certa altura o público fica sabendo que Mike só é grosseirão porque várias mulheres “amargas” partiram o seu coração. Ou seja 1# as mulheres são responsáveis por caras como ele serem tão repulsivos e machistas e 2# o personagem não pode de maneira alguma ser como é por fatores orgânicos, ele precisa de um motivo, e um bem comovente, para justificar sua visão preconceituosa. Não adianta agora dizer que mulheres são poderosas porque fingem orgasmos e partem corações.
Sem contar as diversas vezes que o roteiro expõe as mulheres ao ridículo, em situações pretensiosamente cômicas que na verdade são de um mau gosto impressionante (uma criança brincando com o controle remoto de uma calcinha vibratória enquanto a mulher tem orgasmos).
Katherine Heighl que interpreta Abby definitivamente não está confortável no papel e já fez coisa muito melhor se tratando de comédia romântica (Vestida pra Casar que cai nas mesmas contradições deste, porém encontra resoluções muito melhores e mais simpáticas) enquanto Gerard Butler deita e rola como Mike Chadway forçando seu sotaque escocês.
Robert Luketic, o mesmo de Legalmente Loira e A Sogra, começa bem mas logo prova que tem sim como piorar o absurdo roteiro com um timing pro humor que parece ter saído de um filme pornô oitentista.
Obviamente esses argumentos não seriam válidos por se tratarem de fatores externos, mas o filme importa isso para sua proposta e acaba com uma auto-sabotagem.
Curiosamente, a única comédia não machista em cartaz é sobre um reporter gay, o ótimo Brüno. Embora ótima, Se Beber Não Case não poderia ser mais machista e Os Normais 2… bem, na trama a mulher pode se submeter as fantasias sexuais do homem, mas na busca pelo terceiro elemento que constitui o tal ménage à trois o casal nunca cogita a presença de um homem. Em cartaz, filmes que abordam a questão de maneira inteligente são o francês Enquanto o Sol Não Vem e o terror cômico Arraste-me Para o Inferno.
É uma tendência, comédias para homens e comédias para homens rirem das mulheres – que por vezes vão ao cinema para rirem de si mesmas. Se elas não se incomodam com isso, por que eu, que sou homem, deveria me importar?
Ficha do filme com informações, trailers, críticas, curiosidades e etc : www.xcine.com.br/filme_averdadenuaecrua.html
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“Não há glamourização, não há um pico de tensão para haver catarse, a própria narrativa é uma densa e longa catarse do primeiro capítulo.”

“Triste, Dramático, Tenso, Engraçado e muito Bonito!”

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