Arquivo para Setembro, 2009

19
Set
09

[filme] A verdade nua e crua (The Ugly Truth, 2009)

averdadenuaecrua

averdadenuaecrua_imagem1“Comédia para homens rirem das mulheres – que por vezes vão ao cinema para rirem de si mesmas.”

Abby é uma produtora de tv muito competente e controladora, porém os números do ibope de seu programa estão cada vez mais baixo. Desesperado, seu chefe contrada um apresentador de tv polêmico para conseguir audiência. O problema é, Mike Chadway é a representação do macho primitivo e seu programa é justamente sobre isso: escancarar “A Verdade Nua e Crua” sobre homens, mulheres e o sexo entre as duas raças.

Abby, que idealiza o homem perfeito, acaba odiando tudo isso e compra uma briga com Mike. É então que ele propõe uma aposta, se suas dicas não funcionarem e Abby não conseguir fisgar o vizinho em quem está de olho, Mike se demite. Abby topa e aí começam os problemas do filme.

Por ser uma comédia romântica, obviamente, seguindo a fórmula, os dois se apaixonarão ao final do filme. O que diferencia este filme dos outros é os absurdos machistas que o roteiro comete: Mike começa a moldar Abby de forma que ela agrade o vizinho “perfeito” (gosta de vinho, limpa os dentes com fio dental, é bonito, etc.) – que ao longo do filme vai mostrando-se um machista tão estereotipado quanto a idealização de homem perfeito – e Mike só se dá conta de que se apaixonou por Abby quando ela já está moldada como a mulher perfeita, ou seja, o contrário do que era antes.

Logo, segundo o roteiro escrito por, pasme, três mulheres, uma mulher não pode ser uma boa profissional preocupada com o trabalho porque isso desviaria o foco do que realmente é importante para as mulheres, o amor. Porque o trabalho faz da mulher uma pessoa amarga, afinal elas foram feitas para amar e constituir família, para serem dóceis e prestativas e só assim, juntamente com uma dose de vulgaridade para excitar e manter o relacionamento, um homem pode se apaixonar por elas.

O terceiro ato esboça uma tentativa tímida de mudar isso, mas não consegue, pelo contrário, piora a situação de forma velada. A certa altura o público fica sabendo que Mike só é grosseirão porque várias mulheres “amargas” partiram o seu coração. Ou seja 1# as mulheres são responsáveis por caras como ele serem tão repulsivos e machistas e 2# o personagem não pode de maneira alguma ser como é por fatores orgânicos, ele precisa de um motivo, e um bem comovente, para justificar sua visão preconceituosa. Não adianta agora dizer que mulheres são poderosas porque fingem orgasmos e partem corações.

Sem contar as diversas vezes que o roteiro expõe as mulheres ao ridículo, em situações pretensiosamente cômicas que na verdade são de um mau gosto impressionante (uma criança brincando com o controle remoto de uma calcinha vibratória enquanto a mulher tem orgasmos).

Katherine Heighl que interpreta Abby definitivamente não está confortável no papel e já fez coisa muito melhor se tratando de comédia romântica (Vestida pra Casar que cai nas mesmas contradições deste, porém encontra resoluções muito melhores e mais simpáticas) enquanto Gerard Butler deita e rola como Mike Chadway forçando seu sotaque escocês.

Robert Luketic, o mesmo de Legalmente Loira e A Sogra, começa bem mas logo prova que tem sim como piorar o absurdo roteiro com um timing pro humor que parece ter saído de um filme pornô oitentista.

Obviamente esses argumentos não seriam válidos por se tratarem de fatores externos, mas o filme importa isso para sua proposta e acaba com uma auto-sabotagem.

Curiosamente, a única comédia não machista em cartaz é sobre um reporter gay, o ótimo Brüno. Embora ótima, Se Beber Não Case não poderia ser mais machista e Os Normais 2… bem, na trama a mulher pode se submeter as fantasias sexuais do homem, mas na busca pelo terceiro elemento que constitui o tal ménage à trois o casal nunca cogita a presença de um homem. Em cartaz, filmes que abordam a questão de maneira inteligente são o francês Enquanto o Sol Não Vem e o terror cômico Arraste-me Para o Inferno.

É uma tendência, comédias para homens e comédias para homens rirem das mulheres – que por vezes vão ao cinema para rirem de si mesmas. Se elas não se incomodam com isso, por que eu, que sou homem, deveria me importar?

Ficha do filme com informações, trailers, críticas, curiosidades e etc : www.xcine.com.br/filme_averdadenuaecrua.html

ruim

19
Set
09

[filme] Che 2 : A guerrilha (Che 2 : guerrilla, 2008)

cheparte2

che2_imagem1“Não há glamourização, não há um pico de tensão para haver catarse, a própria narrativa é uma densa e longa catarse do primeiro capítulo.”

Steven Soderbergh juntamente com Gus Van Sant é o diretor mais ciclotímico, para não dizer bipolar, da atualidade. De blockbusters a filmes independentes, de filmes experiementais a filmes intimistas e agora cinebiografias. Os dois diretores também não possuem nenhuma característica estética, narrativa ou até mesmo temática que os destaque, sendo justamente essa a característica que destaque ambos.

Gus Van Sant deu vida ao primeiro político assumidamente gay da história no excelente Milk, extraiu uma arrebatadora atuação de Sean Penn e confeccionou um personagem tão intrigante, com tantas nuances e camadas sem jamais fazer nenhum tipo de juízo de valor. O mesmo faz Soderbergh com o revolucionário argentino Che Guevara – a diferença é que enquanto o Harvey Milk de Van Sant era usado pelo filme como alegoria para falar de seus ideais, o ícone de Soderbergh é desmistificado pelo filme para falar do homem.

Este segue um rumo contrário a primeira parte. Através de um mapa acompanhamos o que aconteceu no capítulo anterior, a geografia da saga de Che até a Bolívia, em um set up da estética escolhida por Soderbergh para narrar a trama: a contemplação. A próxima cena, apenas um take, é um discurso do guerrilheiro, contemplada pela câmera lateralmente, como se Che falasse para as lentes, narrando os ideais de sua revolução. O áudio segue a imagem de um carro vindo em direção a tela, um ano depois – memorável.

E não poderia ter sido escolhido outro recurso narrativo senão a contemplação para contar a história de uma personalidade tão polêmica quanto Che que ainda hoje é motivo de tantas discussões ideológicas. Soderbergh foi esperto. Sem manipular as imagens, fotografadas com explendor por ele usando o pseudônimo Peter Andrews, é extraído o que lhe é dado pelo ambiente, pelos atores e pela conexão entre estes. Cabe a cada espectador decidir seu ponto de vista, mas de maneira nenhuma isso significa que o diretor ficou em cima do muro, pelo contrário, significa que ele tomou um viés contrário. Se alguém defende algo, falha, comete algo impulsivo, sente, sofre, é arrogante ou insensato, esse alguém é o personagem, vivido brilhantemente por Benicio Del Toro. Ele guia os olhos do diretor rumo as suas ações e sentimentos. E os dois não se deixam levar, em nenhum momento, por glamourizações, tanto que os fãs mais entusiastas podem se decepcionar com a contenção.

Não há glamourização, não há um pico de tensão para haver catarse, a própria narrativa é uma densa e longa catarse do primeiro capítulo.

Ao fim, conhecemos a trajetória de Ernesto Guevara, que contempla nossos olhos e a posição que eles tomarão em relação as duas últimas horas projetadas antes do “fade to black”.

Ficha do filme com informações, trailers, críticas, curiosidades e etc : www.xcine.com.br/filme_che2.html

excelente

12
Set
09

[Comunicado] Concurso filma Brasil!

filmabrasil

Ola pessoal, aqui é o criador do site ][ine e tenho um comunicado rapidex pra vocês. Tento sempre não misturar as atividades profissionais das pessoais, mas me deparei numa cituação difícil agora.

Estou participando do concurso ‘filma brasil’ onde tenho meu roteiro exposto a merce dos curiosos que poderão atribuir uma nota de 0 a 10. Segundo as regras do concurso, é permitido mendigar pedir voto de amigos ou conhecidos. Como eu sou uma pessoa de poucos amigos (por ser tão tímido ou sedentário - sei la), so vou poder contar com a ajuda do pessoal anonimo que visita meu site e meu blog.

O TEMA
‘Qualidade de vida’ foi o tema escolhido, num breve resumo do meu trabalho – escolhi retratar o sonho de muitos jovens pelo mundo, que não veem a hora de sair de casa e conquistar a tão sonhada independência alugando um apartamento. O protagonista é ‘Junior’, um cara de 20 anos que curte adoidado seu novo lar fazendo coisas que fariamos se estivessemos sozinhos, coisas que vão de ‘Andar pelado pela casa’ a ‘Convidar uma prostituta’ :D

Este é o preview do meu curta, por favor não julguem meu trabalho através dele, está horrível. Foi tudo o que pude pensar em fazer quando fiquei sabendo que minha filmadora não chegaria do concerto a tempo, usei então um pouco de todas as minhas habilidades para fazer algo simples no tempo que me restava. Queria que vocês avaliassem então pelo roteiro em si, está muito melhor, garanto pra vocês.

Instruções para votar

1 – Clique aqui primeiro para criar um cadastro
(não se preocupe, apenas cpf, e-mail e senha).

2 – Depois que você atribuir seus dados e clicar em ‘cadastrar novo usuário’ - ele vai pedir para que você confirme o cadastramento no seu e-mail (isso evita que as pessoas possam trapacear com e-mails inexistentes).

3 – Depois de confirmado o cadastramento, volte ao site e preencha seus dados cadastrados (E-mail e senha) no espaço superior direito do site para logar.

4 – depois disto basta clicar no botão ‘ROTEIROS’ – depois na aba ‘MEDIA METRAGEM’ e clicar no segundo da lista (Sr. Independente) ou simplesmente acessar o link direto, la você poderá estar escolhendo a nota de 0 a 10… (capriche amigo:D)

 

Pessoal, deixo meu sonho em suas mãos – da essa força pra mim :) . -
e também, estou disposto a agradecer cada um que votou divulgando o nome e a cidade no blog e no site XCINE. – para isso basta você deixar seu nome e cidade comentando neste tópico. BRIGADOOOOO e Deus abençoe vocês.

 

ps : fãs de Twilight, se eu passar prometo falar bem do filme :D

10
Set
09

[filme] Up : Altas Aventuras (Up)

up

up_imagem1“Triste, Dramático, Tenso, Engraçado e muito Bonito!”

E a Disney Pixar faz de novo, quando você pensa que os caras chegaram ao limite da criatividade, eles voltam a surpreender. Up assim como ‘Wall-e (2008)’ impressiona por conseguir fazer de personagens nada creditáveis, seres marcantes e humanizados.

Indo de contra partida com todos os seus princípios, a nova obra da Pixar marca por retratar a vida de um personagem principal de forma diferente das que geralmente vemos em seus filmes. No lugar da criança, surge um idoso, o que ja desembaraça totalmente a Auto- identidade com o público mirim. Somando com a melancolia e a depressão que o filme chega a causar nos seus primeiros 15 minutos, já podemos concluir que os criadores tem um novo público alvo… O Adulto. Tal mudança também passa a fazer sentido quando vemos que, obras que ate ‘ontem’ eram consideradas infantis e descartáveis, passaram ‘hoje’ a concorrer prêmios importantíssimos.

Logo na primeira sequência de Up, somos apresentados a infância do personagem principal, Carl. De jovem calado, passando pelo adulto feliz e apaixonado ao velho ranzinza e deprimido, que depois de perder sua alma gêmea de infância por conta da velhice, perde também o ânimo e a vontade de viver.

A mão da Pixar e sagrada quando o assunto e sentimentalismo, seguindo os passos do ja citado Wall-e, o roteirista Bob Peterson abusa e usa da dramaticidade na vida de Carl, que vê toda a juventude e sonhos partirem enquanto ele fica para trás sem forças para seguir em frente, tendo como escolha simplesmente sentar e esperar ver o tempo passar depressa. Como se já não bastasse, Up vai mais a fundo quando resolve retratar a solidão de forma excluida e deprimente. Uma carga emocional tão forte que chega a ficar pesado em certos momentos. segurar as lágrimas logo começa a ficar bem difícil.

Não ousaria falar de uma animação da Pixar sem falar da…Animação. Renderização perfeita fazem dos personagens, embora caricatos, bem realistas. Os cenários também devem ganhar destaque na parte técnica, principalmente quando fundidos aos óculos 3D (que servem simplesmente para dar o efeito de imensidão e perspectiva assim como A era do Gelo 3 fez), as paisagens logo mais parecem uma fotografia tirada, e o visual ao todo ganha o toque perfeccionista da Pixar, HD de primeira com direito a zoons e texturas perfeitas.

Prepare o lenço, Up será uma aventura emocionante.

PS 1 : É o primeiro filme do ANO que eu (Eduardo Maurício) dou nota Excelente… Por pouco não ganha uma medalha de ouro aqui no X (nota para consagrar obras primas).

PS 2 : Se for levar a namorada, assista a versão 3D, o óculos vai ajudar a esconder as lagrimas.

PS 3 : A aventura de Carl no sul da américa não lhe servira como uma espécie de redenção, mas lhe dará algo para se alegrar pro resto de sua vida. Uma aventura e novos amigos.

Especial sobre o filme : www.xcine.com.br/filme_up.html

excelente




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