[filme] De repente, Califórnia (Shelter)

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”O filme é um dos mais lindos, sensíveis e realistas que eu vi”

Antes… esse aviso: ‘Homófobos, caiam fora!’ É, assim: curto e grosso. Melhor irem ver outro filme. Eu nem vou perder meu tempo numa tentativa de deixarem de ser estúpidos. E por que? O filme é um dos mais lindos, mais sensíveis, mais realistas que eu vi, abordando a homossexualidade. Se alguém ainda estiver disposto a reavaliar seus preconceitos, a esses sim, eu também indicaria.

Eu até cogitei em escrever sem focar nesse tema. Porque teria como. Mas ai vi que seria uma grande bobagem. Creio que quanto mais o assunto vir a mesa de debate, mais ele será visto como tem que ser: uma relação como outra qualquer. Além disso, ‘De Repente, Califórnia’ traz uma outra questão: a de um casal homo ‘adotar’ um filho. Mesmo não sendo juridicamente, que mal há nisso? E novamente o preconceito existe nas pessoas. Há muitos casais heteros que nem estão ai para o bem estar da criança. Chegando até jogarem ela fora… ou, atirando-a pela janela… Eu vi como um grande avanço no Judiciário do Brasil quando ‘deixou’ que o filho da Cássia Eller ficasse com a companheira dela. Se alguém quer ser mãe, ou pai, de fato e de direito, não precisa ter que ser, ou ter uma relação hétero para isso. Tem que querer e poder assumir tal compromisso.

Zach (Trevor Wright) é um rapaz muito ligado a família. Órfão de mãe, tem um pai que embora presente na casa, é ausente como pai. Junto com eles dois, mora a irmã, Jeanne (Tina Holmes), e Cody (Jackson Wurth). Jeanne quando não está trabalhando no mercado, está namorando, bebendo, transando… Usa e abusa do irmão como babá do filho. Cody só não se tornou uma criança com problemas, porque Zach lhe dá muito carinho. Cody o considera como um pai. É linda a cena quando ele afirma que tem Zach como o seu Dad. Tem no Tio a figura paterna na essência. E Zach o é. Um pai que nunca teve, mas que por isso sabe que Cody precisa dele. Ainda mais com a mãe que tem, que nunca tem tempo para o menino.

Zach tem, além do sobrinho, mais duas paixões: desenhar e surfar. O surfe, basta rodar alguns poucos quilômetros e desfrutar desse prazer. Quanto ao desenho, o sonho maior é se especializar, mas o curso o faria ter que ir viver mais longe. Quem o prende ali, é o seu amor por Cody. Em dar a ele a sensação de que tem um lar. Mas com as demais pessoas naquela casa, o ‘Lar’ só existe no coração de Zach e Cody. A casa é só um mero abrigo contra as intempéries climáticas.

Em Zach, irá aflorar uma outra paixão, que até então estava meia indefinida em sua mente. E ela vem à superfície quando rever Shaun (Brad Rowe), o irmão mais velho do seu amigo de infância Gabe (Ross Thomas). Nessa descoberta de si mesmo, até por saber dos preconceitos alheios… Há cenas que emocionam! Em momentos por compartilhar com a tristeza dele. Noutras, por sentir a alegria com ele. Houve momentos do filme, que me fez lembrar do Curta Brasileiro, ‘Café com Leite'; nesse, eu também fiquei emocionada. Shaun voltou por querer refletir…

Em ‘De Repente, Califórnia’ há uma outra questão: as amizades. Sem conotação sexual. Gabe, quando descobre, mostra o quanto gosta dele num caloroso abraço. Isso faz toda a diferença! Amigo é amigo. Não importando se as preferências sexuais dele não for a mesma que a sua. Com Gabe ainda há um outro lance. Que fica numa linha tênue se há maldade no que diz, ou se o faz como um papagaio repetidor. Ai sim não haveria preconceito. Pode até doer um pouco naquele que para ele foi direcionado o termo. Mas se souber abstrair, pode até levar o outro a não dizer mais. Ou nem se abalar mais com isso. Bastando pensar que o problema está na mente do outro. Não vi maldade quando, por exemplo, Gabe pergunta a Shaun se só tem comida de bicha. Shaun gosta de cozinhar. Contrário de Gabe que é adepto dos fast foods.

Zach terá que se definir, mas como uma pessoa que define por si mesmo, as suas prioridades. Tomar enfim uma decisão: ou fica na vidinha de sempre, ou vai ser feliz. Com Shaun, mais que um mero abrigo, terá um futuro promissor. Com casa, comida, muito amor, estudo, carreira, e um verdadeiro lar, até para Cody. Isso se Jeanne concordar. Alguém que é um poço de egoísmo. Tão diferente de Tori (Katie Walder), a namorada de Zach. Tão igual ao troglodita do mais recente namorado.

A trilha sonora foi muito bem escolhida! Ela nos enleva nas emoções sentidas em ‘De Repente, Califórnia’. Tem classificação maior que Excelente? Tendo, é o que eu daria a esse filme. Que entrou para a minha lista de que vale muito a pena rever. Não deixem de ver.

Crítica, Álbum, Vídeos e Trailers, Curiosidades e Informações sobre o filme : www.xcine.com.br/filme_derepentecalifornia.html

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