Arquivo para Fevereiro, 2009

21
Fev
09

[filme] Quem quer ser um milionário? (Slumdog Millionaire, 2008)

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Quem Quer Ser Um Milionário? não é apenas, e com folga, o melhor filme do ano, não é apenas uma obra-prima. É Cinema em sua essência, puro e vivo

No início de “Quem Quer Ser Um Milionário?” o público é apresentado a uma questão e a ela são dadas quatro alternativas. O filme narra a trajetória que Jamal percorreu para chegar a pergunta que pode ou não dar ao garoto pobre 20 milhões de rúbias em um programa de TV.

A trama é divida em três linhas narrativas diferentes: uma se passa em tempo real em uma delegacia, a outra coloca em foco o programa de tv e seus bastidores e a última são flashbacks que explicam ao longo de cada acerto como Jamal sabia a resposta.

Com esse roteiro nas mãos Danny Boyle (Trainspotting, Sunshine) conduz uma das mais encantadoras fitas dos últimos tempos. Ambientada na Índia, a trama homenageia o país e flerta com Bollywood através de duas horas coloridíssimas e vibrantes sem jamais esquecer da estória que conta – Baz Luhrmann que abra um buraco em solo australiano e se enterre com seu épico… desastre.

Todos os aspectos técnicos aqui são de um brilhantismo absurdo mas nunca, em momento algum, tomam o lugar da trama, nem por um segundo tornam-se maiores que os personagens e seus sentimentos – estão ali a serviço desses – e a captação do turbilhão de emoções que afloram ao longo dos minutos explicitam o enorme talento de Boyle. Sua direção é impecável, irretocável e inspiradíssima. Aqui o Diretor (mereceu o D maiúsculo) opta por uma linguagem menos alegórica visualmente, respeitando a gramática do cinema e a executando com perfeição. Ele crê mais do que nunca em suas imagens, orgânicas e verdadeiras, logo não sendo necessário nenhum tipo de alegoria ou manipulação visual pois ele consegue extrair a magia do momento com facilidade. O domínio da linguagem e da narrativa são impressionantes. Os planos são inteligentíssimos. E o inglês jamais se deslumbra em detrimento da trama. Assume o papel de um maestro que acredita em sua orquestra e apenas lhes cede as notas que tem consigo recebendo de volta a mais sublime das sinfonias.

O roteiro adaptado por Simon Beaufoy do romance de Vikas Swarup é de uma genialidade bruta. A condução é esperta e dona de ótimas reviravoltas. E caso pareça esquemático, sua última frase se faz valer e ponto. É sim um feel-good-movie, assumidamente e honesto em relação a isso – edificante sim, porém muito longe de ser clichê – e é justamente essa honestidade com o público que faz do filme uma experiência tão rica e cativante. Ao contrário do superestimado filme de David Fincher, O Curioso Caso de Benjamin Button, o texto juntamente com a direção não precisam se preocupar em manipular as emoções do espectador porque existe uma confiança e segurança tão verdadeiras e sinceras na trama que estão narrando que tudo flui com naturalidade sendo que, as leituras e interpretações estão ali para o espectador faze-las da maneira que preferir. Não há nenhum tipo de indução, roteirista e diretor literalmente entregam o filme para a platéia.

O elenco é maravilhoso, todos sem excessão estão ótimos mesmo que alguns mereçam mais destaque que outros. Dev Patel é dono de um carisma incontestável e os demais intérpretes de Jamal (na infância e na pré adolescência) seguem a cartilha fazendo do personagem um dos mais adoráveis e críveis do ano.

Aliado a uma fotografia que explode o colorido, uma trilha sonora vibrante e uma edição de cortes rápidos e montagem original, Boyle faz com que seu filme pulse em ritmo fluente e hipnótico. É uma infinidade de acertos que juntos injetam vida naquela grande tela branca e nos lembram da magia do cinema, nos fazem sentir que aqueles fotogramas estão se movendo sozinhos, que aquilo é real e ainda assim fantástico.

Nada mais precisa ser dito, o filme fala por si só, vive por si só. Quem Quer Ser Um Milionário? não é apenas, e com folga, o melhor filme do ano, não é apenas uma obra-prima. É Cinema em sua essência, puro e vivo.

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 (medalha de Ouro – Obra Prima)

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21
Fev
09

[filme] Frost / Nixon (Frost /Nixon, 2008)

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Talvez signifique mais para os Americanos em relação ao resto do mundo assistir a este filme

Introdução
Antes de tudo, quero dizer que não tive a mínima curiosidade para ver este filme, nem mesmo as premiações haviam me motivado a assistir, a grande verdade e que nunca fui fã de Dramas políticos mais ganhando convite para assistir ao filme de graça foi um galho que eu podia quebrar.

Sou uma criança grande que cresceu vendo blockbusters como a maioria e sô passei a me interessar por gêneros mais sérios apartir do momento em que desenvolvi apaixão pela sétima arte. Sem muito o que fazer naquela manha (sô fugi da faculdade), decidi aceitar o convite para assistí-lo e eu confesso…Esperava menos do filme.

O Filme e o Elenco

Frost Nixon e dirigido por Ron Howard (O Aviador) e conta a história do presidente Richard Nixon, que renunciou o cargo em 1974 apos ser acusado de diversos indelitos, vivendo quase que escondido das mídias e mantendo contato apenas com seus executivos e amigos do ramo. Por falta de grana decide aceitar um convite para entrevista de um apresentador australiano chamado David Frost que ve disso um meio de conseguir grande audiência na tentativa de arrancar confissões do Ex-presidente sobre o ocorrido ‘Watergate’ em 1972, confissões que podiam condená-lo mas que em vez disso, foram abafadas e ate então nunca chegaram aos ouvidos do público.

O fillme e uma adaptação da peça de Peter Morgan, e acompanha toda a ansiedade e angustia do carismático David Frost (Michael Sheen) querendo fazer história numa ousada tentativa de entrevistar um político num conhecido programa Pop Australiano naquela época, ao mesmo tempo em que vemos Frost gastando e investindo seus bens para alimentar sua esperança maluca aos olhos de seu produtor e amigo John Birt (Matthew Macfadyen) vamos conhecendo sua personalidade no desenrolar da narrativa de forma simples e muito bem explorada, o que nos permite conhecermos e entendermos seus atos acima de toda pressão, O presidente Nixon (Frank Langella) que não faz nada mais que sua obrigação como ator se mostra como o vilão da história, já que suas ações e atitudes vão de contrapartida com as do mocinho Frost, o que não é pra menos, tendo como braço direito seu aconselhador e amigo general Jack Brennan (Kevin Bacon).

O filme tem um grande e bom elenco, além da positiva direção de Howard, alguns atores conhecidos também marcam presença como Sam Rockwell no papel do escritor James Reston, Jr, Oliver Platt (Jornalista se não me engano), e apenas uma mulher se destaca, pelo menos ficamos sabendo que ela existe, Caroline (Rebecca Hall) a namorada de Frost.

O Roteiro

O roteiro nos permite acompanhar o drama e a angustia de ambos os personagens na expectativa de fazer uma entrevista de acordo com seus planos, todos fora o ex-presidente e sua assessoria desejam arrancar as confissões por motivos próprios, já o grupo do presidente so deseja continuar abafando os fatos que ocorreram e ainda se sobrepor sobre as péssimas e negativas críticas lançadas sobre ele, Mas o que realmente coloca o apresentador de olhos na tela e a curiosidade para ver o final da entrevista, onde obviamente esperamos que o apresentador assuma a dianteira e consiga arrancar a tão aguardada confissão do Sr. Ex-Presidente Nixon.

Mas como eu disse no começo da crítica, estou me acostumando a ver dramas políticos, portanto ficai a dica, se você adora um fala fala e histórias do mundo, tai um ótimo filme para se assistir, se não consegue ficar 2 horas ouvindo conversas e sem ver uma explosãozinha se quer passe bem longe, agora se simplesmente ama cinema e gosta de ver de tudo assim como eu, vale a curiosidade.

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21
Fev
09

[filme] Milk : a voz da Igualdade (Milk, 2008)

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Um grande homem que lutou por uma grande causa retratado em um grande filme.

Dentre os 5 indicados ao Oscar de melhor filme deste ano, o que mais oferece leituras e interpretações é MILK – A Voz da Igualdade. O novo filme de Gus Van Sant, o mesmo diretor de Elefante e do recente Paranoid Park, foca a trajetória que Harvey Milk percorreu até ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos dos anos 70. O detalhe é que, Milk era gay assumido e lutava pelos direitos dos homossexuais.

Inicialmente um homem de negócios, dono de uma loja para materiais fotográficos na rua Castro em São Francisco, ele se vê confrontado pela violência da polícia contra os gays e toma a decisão de denunciar. Não demora muito para que entre na política e encontre a rivalidade dos que prezam pelos costumes, o que o roteiro usa como principal conflito.

Escrito por Dustin Lance Black, o texto é de uma competência rara, mostra uma enorme capacidade de síntese e apimenta tudo com ótimos diálogos. Logo no começo já nos é dada a notícia de que Milk foi assassinado, e ao longo da trama são inclusas cenas do político gravando sua história, o que nos leva a longos flashbacks onde o roteirista trata de, não somente contar os fatos verídicos, mas sobretudo construir seu personagem e aprofundar-se nos vários temas que cercam a vida do homem e consequentemente, o filme.

O roteiro é excelente e é potencializado por dois outros fatores que fazem de MILK o filme que é; são eles a direção de Gus Van Sant e a assombrosa interpretação de Sean Penn.

Sant já passeou por todos os gêneros, propostas e abordagens. Aqui aposta em uma interessante mistura de estilo documental com uma narrativa baseada na simplicidade de alegorias que se fazem inteligíveis e não menos curiosas.

Sean Penn jamais exagera, passa longe de maniqueísmos e afetações, ainda que seu Harvey Milk tenha trejeitos delicados. Técnica e mais técnica, entrega total e crença no projeto fazem o político ganhar vida novamente.

O restante do elenco surpreende, e Josh Brolin prova mais uma vez a que veio. Ele interpreta Dan White, o rival de Milk, atormentado e paranóico ele cria em pouco tempo de tela uma grande e sensível construção de personagem – ou o que o público pode enxergar dele.

Cada aspecto técnico é utilizado pelo diretor para complementar sua narrativa e lhes é conferido uma importância muito além da estética. A ambientação não seria nada sem o figurino de Danny Glicker e a incrível edição de Elliot Graham é uma ferramenta importantíssima na trama.

A impressão que se tem é que todos quiseram fazer um grande filme – e conseguiram. Cada pequenos detalhe é aproveitado e utilizado afim de dar significados e vida à história.

MILK é um filme de personagem. Também pode ser visto como um filme sobre a coragem e determinação de um homem comum que mudou a história através de seus atos, ainda que possa ser uma mensagem de esperança e alerta, ou mesmo sobre a liberdade. E as dimensões e camadas não param por aí. Como disse anteriormente, as interpretações que o espectador pode fazer são diversas, MILK é um filme com muito a dizer, rico em significados e nuances, porém em momento nenhum faz o discurso óbvio e só por isso já ganha muitos pontos.

Fazendo uma rápida comparação com o filme de Stephen Daldry, concorrente direto na corrida pelo Oscar, MILK tem muitas falhas o que não acontece com O Leitor e ainda assim é um filme muito mais pertinente, interessante e ouso dizer, melhor, com muito mais impacto.

Um grande homem que lutou por uma grande causa retratado em um grande filme.

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Fev
09

[filme] O Lutador (The Westler, 2008)

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Um filme acachapante sobre as escolhas de uma vida e a busca pela redenção a todo custo

Dois filmes que estreiam nos cinemas nesta sexta-feira dividem algumas curiosas semelhanças: O Lutador e O Casamento de Rachel são ótimos filmes de personagem que contam histórias batidas, ambos filmados com câmera na mão, ambos tem a redenção como um dos temas e trazem algumas das melhores atuações do ano – Anne Hathaway e Mickey Rourke. Mas falemos de O Lutador, novo filme de Darren Aronofsky, diretor do excelente Requiém Para Um Sonho, que agora conta a história de Randy “The Ram” Robinson, lutador de vale tudo em decadência interpretado brilhantemente por Mickey Rourke, uma fênix recém saída das cinzas.

Após um infarto que o obriga parar de lutar, Randy vai reavaliar sua vida e as escolhas que fez ao longo dos anos. Ele se relaciona com a stripper Cassidy (Marisa Tomei) que o encoraja a procurar a filha (Evan Rachel Wood) que não vê há anos. Premissa simples, já contada várias vezes de várias formas, ou seja, O Lutador não acrescenta nada de novo ao sub-gênero, sendo assim ainda mais interessante e curioso que consiga ser tão único e rico e fazer-se tão emocionante.

A falta de dinheiro é evidente: são pouquíssimos os cenários, a grande maioria das cenas são “in loco” e o método de filmagem adotado é a câmera na mão. E Aronofsky é realmente brilhante, pois consegue reverter toda essa precariedade a seu favor e a usa como escolha estética, transformando-a em estilo.

No início não conhecemos Randy, suas emoções não são reveladas ao público, até o infarte só o que conhecemos são as ações do lutador e Aronofsky o foca quase sempre de costas, com certa distância, como um ícone, um mito. Finalmente, o segundo ato termina e o roteiro abre caminho para o drama através da construção de personagem e o diretor trata de nos tornar mais íntimos daquele homem, agora exposto em toda sua vulnerabilidade.

Mickey Rourke é o interprete de si mesmo aqui, personagem e ator fundem-se em suas trajetórias e Aronofsky fez uma feliz e corajosa escolha quando optou pelo astro oitentista. Rourke soube retribuir. Não é porque sua história se assemelha com a de Randy que não há construção, técnica e interpretação, muito pelo contrário. Divide com Sean Penn a melhor atuação masculina do ano – essa situação, na verdade, é bastante parecida com a de Gloria Swanson e Bette Davis em 1951: Davis era a melhor pelo total domínio da técnica em A Malvada, mas era Swanson quem comovia e entrava para a História do cinema por sua total exposição e entrega ao personagem icônico de Norma Desmond, em Crepúsculo dos Deuses, uma decadente estrela do cinema mudo que se via esquecida pela idade avançada e pelo som que havia sido anexado aos filmes. Swanson vivia a mesma situação na vida real.

Num ano de entregas, Rourke surge como a maior delas e seu saldo é igualmente o maior: a redenção completa, a salvação de uma carreira e a glória absoluta de um astro do cinema.

Ao seu lado, temos a ótima Marisa Tomei em uma ousada atuação que lhe rendeu a indicação de melhor coadjuvante ao Oscar e o furacão Evan Rachel Wood no papel de Stephanie, filha de Randy. A garota tem poucas cenas, mas está perfeita em todas elas.

As lutas são um show a parte. O realismo é perturbador e em alguns momentos se torna aflitivo. Aronofsky filma tudo muito cru, ainda mantendo vibrantes as cenas no ringue, aliado a empolgante trilha de clássicos do rock dos anos 80.

A narrativa tem um ritmo arrebatador, são sequencias rápidas e objetivas que se costuram e caminham juntas para o arrepiante terceiro ato, onde surgem as soluções para as discussões que o roteiro apresentou e que atormentaram o protagonista. E um ótimo roteiro por sinal que não peca em momento algum, não exagera nunca da mesma forma que não deixa nada faltando, nenhuma ponta solta, vencendo pela simplicidade. Os dramas do protagonista são tratados de forma que o espectador possa se conectar, são inteligíveis, o que torna a emoção algo inevitável.

Um filme acachapante sobre as escolhas de uma vida e a busca pela redenção a todo custo. O Lutador é um triunfo.

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21
Fev
09

[filme] Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, 2009)

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As mortes são incríveis e sim, conseguem ser engraçadas pelo contexto e pelo timing

Estereótipos de adolescentes fúteis, drogas, cenas de sexo e nudez gratuita, mortes a cada cinco minutos, clichês, sustos baratos, roteiro cheio de furos, diálogos manjados… enfim, um bom resumo do que é Sexta-Feira 13, novo filme da franquia de Jason Vorhees. Logo, todos esses elementos juntos formam um filme ruim, certo!? Errado! Absolutamente errado! Não poderia ser melhor e mais divertido o resultado do projeto que vem se arrastando entre novidades e adiamentos desde 2006.

Marcus Nispel, diretor de outro remake encomendado pela Platinum Dunes – O Massacre da Serra Elétrica, 2003 – faz uma deliciosa e empolgada homenagem ao gênero slasher e sobretudo, a uma das séries mais famosas do cinema. Todos os elementos básicos e característicos da série estão ali, dos esboços de personagem até a estética das mortes passando pelos esquematismos do roteiro, tudo nos remete a cinesérie.

Os créditos iniciais já nos dão uma idéia do que vem a seguir, alternando com os nomes da equipe técnica, takes da noite em que a sra. Vorhees foi decaptada. Vinte anos mais tarde, uma turma de jovens (o casal certinho, o nerd, e o casal que só pensa em sexo) vão para o meio da floresta atrás de uma plantação de maconha. Obviamente, depois de algumas risadas, cervejas e sexo, eles são brutalmente assassinados por um maníaco mascarado. Passam-se as semanas e não demora para que outro grupo de jovens apareça. Desta vez, vão para a cabana de um amigo rico onde pretendem transar loucamente, enxer a cara e usar todo tipo de droga ilícita que puderem, afinal estão no meio do nada e a polícia não se faz muito presente por ali.

Mudam os personagens mas não os estereótipos. Temos o bonitão sarado, riquinho e esnobe Trent (Travis Van Winkle) e sua namorada meiga e certinha Jenna (Danielle Panabaker); a amiga gostosa e maliciosa que desperta fantasias nos marmanjos, Bree (Julianna Guill); O casal atraente que só pensa em sexo, Chelsea e Nolan (Willa Ford e Ryan Hansen); Os amigos idiotas, um negro que a todo momento fala de sua cor de pele e um japonês nerd autor de brincadeiras infantis como estourar latinhas de cerveja próximo ao ouvido; Juntam-se a eles Clay, o arquétipo heróico, que está espalhando panfletos de “missing person” da irmã, que estava no primeiro grupo de jovens. Entre ele e Trent rola um atrito, o que deixa Jenna desapontada com o namorado e a faz criar um vínculo de amizade com o bom e destemido rapaz.

Algo de novo? Não, e ao mesmo tempo sim. Por mais batida e prevísivel que seja a história, ela se dá de maneira diferente e por vezes, acredite, imprevisível. Cabem aqui algumas inovações: a irmã de Clay, Whitney (Amanda Righetti), não morreu e foi aprisionada por Jason, que agora não é mais um zumbi que perambula pelas florestas sem pressa alguma. Mais rápido e ameaçador do que nunca, ele age como um caçador e se locomove através de túneis subterrâneos.

Até mesmo algumas mortes são difíceis de se prever quando e como acontecerão, o que gera alguns bons sustos.

As mortes são incríveis e sim, conseguem ser engraçadas pelo contexto e pelo timing, além de muito criativas. Temos olhos perfurados, machadadas no peito, gente sendo queimada viva e até mesmo mocinha sendo pendurada como se fosse roupa em loja – o que não deixa de ser, um mero artigo estético. Outra morte irônica se dá quando uma loira ganha um belo golpe de facão no topo da cabeça e, puxado para cima, o corpo não consegue ir além pois há uma ponte no meio do caminho, o que nos mostra o belo par de seios do cadáver. Impagável.

Entre mais um dos acertos está a volta do sexo e da nudez, com a ajuda do elenco, todos lindos, sarados e gostosos… e talentosos (!?) Pois é, como se não bastasse temos alguns destaques. Amanda Righetti está muito bem mostrando toda a agonia e o pânico de sua personagem e Travis Van Winkle tem um bom desempenho com seu papel que beira o cômico.

Ganha agilidade a condução de Nispel, que mostra muita empolgação e dedicação ao projeto. A fotografia de Daniel Pearl também chama atenção por ser um trabalho acima da média para filmes de terror.

Os roteiristas Damian Shannon e Mark Swift, os mesmos do divertido Freddy x Jason, fizeram uma mistura de elementos narrativos dos quatro primeiros filmes da série, atualizaram a trama para os dias atuais porém sem esquecer dos fãs, introduzindo uma boa dose de nostalgia e homenagens.

A cena em que Jason encontra sua famosa máscara de hockey pela primeira vez ganha um tom icônico e metafórico – uma de suas vítimas fica aterrorizada com seu rosto deformado, Jason por sua vez degola o pescoço do cara que cai no chão derrubando uma mochila de onde sai a máscara. O maníaco a observa caída no chão, segura em suas mãos e a coloca em seu rosto de costas para a câmera, quando se levanta, ele e consequentemente a platéia, o observam refletido em um espelho. Arrepiante, e para os fãs, chega a ser comovente. É exatamente o que aconteceu com a série e o que esse filme faz com a mesma: a cobre das vergonhas e dos deslizes pelos quais passou e a apresenta a uma nova geração, lhe dando uma nova cara, um novo rosto, ainda que este seja o mesmo de trinta anos atrás. Mesmo que agora esteja sendo colocada pela primeira vez, debaixo daquela familiar máscara de hockey está nosso querido e mortal Jason Vorhees.

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21
Fev
09

[filme] O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, 2008)

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Um fator interessante nesse tipo de filme é a oportunidade que os atores ganham de permanecer “in character”, sempre rendendo ótimas e críveis atuações

 O novo trabalho de Jonathan Demme é nada mais que uma versão americana – e consequentemente mais amena – do filme dinamarquês Festa em Família de Thomas Vinterberg. Porém se comparados, o longa pioneiro do movimento Dogma sai ganhando disparado e essa não é a intenção.

Apesar de muitos dos temas e até a estética dialoguarem entre si, os filmes tem abordagens e tons diferentes.

Kim (Anne Hathaway) está saindo por uma semana da clínica de reabilitação para acompanhar os preparativos do casamento da irmã, Rachel (Rosemarie DeWitt). Soma-se a isso um terrível segredo do passado, a tentativa falha de Rachel mascarar sua rivalidade com Kim e as mágoas que vem a tona e se misturam com a alegria e empolgação do exótico casamento. Pareceu familiar? E realmente é, a mesmíssima história constanmente revisitada pelo cinema, porém a premissa e o título já nos dão uma idéia do diferencial: acompanhamos o processo pelo qual Kim está passando tendo de aceitar o fato de não ser mais o centro das atenções da família.

O roteiro de Jenny Lumet nos dá aos poucos as dimensões dos sentimentos de seus personagens que Demme persegue com sua câmera em estilo documental pelos corredores da casa. Uma das diferenças é que aqui os ângulos não são sufocantes como no filme de Vinterberg e muito se assemelham a um registro amador de casamento o que nos insere de forma bastante eficiente na trama, além de deixar o drama mais natural e realista.

Algumas falhas são gritantes e essas vem principalmente do ritmo de certas cenas, longas demais, desnecessárias e enfadonhas como por exemplo o jantar entre as duas famílias que só ganha força quando Kim faz seu discurso trazendo a mesa certo constrangimento. Ainda assim, um pouco de agilidade faria bem ao filme e o ajudaria a completar os arcos e idéias, que precisam ser anexados com cautela a narrativa e respeitando a estética.

Um fator interessante nesse tipo de filme é a oportunidade que os atores ganham de permanecer “in character”, sempre rendendo ótimas e críveis atuações, o que de fato acontece e nos revela uma grata surpresa: conhecida por fitas comerciais, em sua maioria comédias, a linda e carismática Anne Hathaway prova sua versatibilidade e capacidade de interpretar textos dramáticos – mas não só isso – ela entrega uma das melhores interpretações do ano numa comovente e assustadora entrega ao projeto, um mergulho precioso em sua personagem, conseguindo detalhar em nuances a complexidade de Kim, despindo-se de toda e qualquer vaidade, física ou artística. São momentos de fúria, ressentimento, mágoa, tristeza e solidão entregues com força total e sem exageros ou maneirismos.

Merecidíssimo destaque também para a maravilhosa Rosemarie DeWitt, Bill Irwin e Debra Winger como os respectivos pais das duas moças. O restante do elenco também está bastante a vontade e incontestávelmente críveis.

Aliás, boa parte da força do filme é consequencia direta do entendimento e transposição deste feito pelos atores de forma mais que satisfatória. Trabalham como um time, que aos poucos vão acrescentando doses de nuances que facilitam o espectador enxergar e entender onde o caminho que a narrativa percorre quer chegar. E ele se dá, obviamente na eclética cerimônia e festa de casamento, surpreendentemente de forma contida e anti-climática onde fortíssimas emoções culminam e variam-se entre ternos momentos de aceitação e dolorosos instantes de união.

A família destruída e feita em cacos pela tragédia que a acometeu tem sua remissão através da adição de novos membros que os unem novamente, ainda que os espinhos e farpas causem dor e sofrimento. A catalisadora disso é Kim, seu amadurecimento e sua transformação serão refletidos nos que são diretamente conectados a ela, da mesma forma que seus erros foram. E enfim, ela tem de conviver com a solidão deixada para trás por essas pessoas que agora, juntas, celebram a vida e inconscientemente a deixam sozinha, pelos cantos – o barco que navega errante pela piscina.

As explosões cessam, a tempestade vai embora e com ela leva todo o tormento que acometeu aquele grupo de pessoas chamado família, que são unidos, mesmo espacialmente distantes, por uma mistura de confusos sentimentos que jamais deixam de existir, sejam eles confrontados pela perda, sejam eles diluídos pela chegada de novos entes.

Demme, que inclusive já foi premiado pela Academia por sua direção em O Silêncio dos Inocentes, volta com dignidade e mostra que ainda tem domínio e técnica apurada, depois de alguns tropeços pelo caminho. O Casamento de Rachel é um ótimo retrato sobre a dor e a solidão, apresenta ótimos questionamentos e resolve as discussões que propõe com perfeição. Uma obra de reflexão e um belíssimo e comovente drama como poucos, que consegue se fazer único e pertinente dentro de sua exigüidade.

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09
Fev
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[Filme] O Cavaleiro das Trevas IMAX (The Dark Knight, 2008)

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nem o IMAX me destraiu desta vez…

Uma pequena introdução do IMAX.

Para quem ainda não sabe da novidade (pelomenos aqui no Brasil), o formato IMAX originado no Canadá nada mais é do que uma sala de cinema com recursos ainda mais avançados, a tela curva mede cerca de 16 metros de altura e 22 de largura, os grandes blockbusters utilizam dos recursos da câmera especial para gravar cenas em uma super Alta Definição, Porém ate agora nenhum filme foi filmado 100% com uma imax porque so o custo para o aluguel de uma já ferra com grandes produções com orçamentos estimados a 200 milhões de dolares. segundo o wikipédia Existem no mundo 280 salas IMAX, em 40 países, sendo 60% das salas localizadas nos Estados Unidos e no Canadá, Aqui no Brasil foi inaugurada este ano 1 sala no shopping bourbon em São Paulo, e outra prevista para inaugurar ainda no terceiro semestre de 2009 em Curitiba no shopping Palladium Shopping Center.

Mas se este tal de IMAX é tão especial, porque existe apenas 1 aqui na grande metrópole?

Para se ter uma ideia do custo estimado para possuir uma sala em IMAX, o shopping Bourbon gastou cerca de 2,7 milhões de reais.

A primeira Impressão?

Esta é a primeira vez que entro em uma sala Imax, quando inaugurou com o filme Depp Blue Sea 3D (como de costume), não tive tanta curiosidade (e money) pra ver, ouvi que a qualidade e de outro mundo mas o documentário era chato, então decidi marcar presença em outra estréia. O ingresso e facada mesmo, são 30 reais (meia para estudantes no meu caso), é sinceramente não sei te dizer se valeu a pena pagar para ver Batman denovo. Quando você entra na sala, muita coisa ainda parece igual as tradicionais, a tela que você ouviu tanto falar ser IMENSA nem parece tão grande assim, mas mesmo assim a ansiedade ainda é grande, você só começa a sentir o efeito da tela depois de 5 minutos de exibição e acompanhar a legenda ficou ainda um pouco mais complicado (Acho bom você ter uma pequena noção do Inglês), Uma vez que a tela começa a exibir as imagens você fica maravilhado pois tudo aquilo vai ser novidade. Os Detalhes das imagens, a qualidade e o som dão uma sensação realista demais, você fica vidrado é…

Você me parece muito excitado falando deste Imax, mas eu quero saber sobre o filme… Como Foi?

Bem, como é a terceira vez que assisto a este filme, ficou bem mais claro me focar nas qualidades e nos defeitos, nem o IMAX me destraiu desta vez. A primeira vez eu enchi o filme de elogios, acredito que fiquei tão centrado em acompanhar a tão elogiada história que me fechei aos erros e detalhes. Mas agora eu percebi que Batman não é tudo isso não, não é o filme que merece ser aplaudido e premiado com Oscar, percebi que apesar de ser um filme divertido, não passa de um Blockbuster bem produzido e com uma trama que prende a atenção, e que a unica coisa que merece pelomenos concorrer ao oscar e Heath Ledger por sua atuação como Coringa (O melhor quadjuvante de 2008).

Eu perguntei sobre as novidades do IMAX e não sobre o filme em si¬¬

Ahhh, bem, o formato trás umas novidades incríveis que viciam e te fazem querer presenciar outra experiência. Como tinha dito, muitos ainda pensam que o filme é 100% filmado em IMAX, eu repito, temos ai pelomenos 20 minutos de cena em Alta Definição incluindo a do assalto ao Banco, A perseguição ao carro Blindado (Louca demais :) , A sequência de Hong Kong e o Final, bem… Acho que teve mais cenas que não consigo me lembrar agora, mas e como eu disse, a experiência é única é…

Ta Ta Ta, agora responde, vale a pena pagar tanto dinheiro para Assistir o formato IMAX?

Olha, 100% certeza que vale, pelo telão, pela novidade, pela curiosidade, é…

MASSSS???

Mais talvez em outra ocasião sabe?!, em outro filme, pagar para ver batman com algumas cenas mais empolgantes pode não valer a quantia gasta simplesmente pelo roteiro que você já conhece…

Ahhh, só um aviso, quando você visitar uma sala Imax, procure ficar o mais distante possível da tela, sentar la na frente e pedir pra ficar com torcicolo.

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09
Fev
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[Filme] Dúvida (Doubt, 2009)

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Tudo, absolutamente tudo é duvidoso

Se você quer saber do que se trata o novo filme de Meryl Streep que estréia sexta-feira no país, simplesmente leia o título. É uma verdadeira aula de síntese e obviamente não há outra definição que se adequaria tão bem como essa: Dúvida é um filme sobre… dúvida. Não apenas sobre mas o longa, adaptado da peça homônima vencedora do prêmio Pulitzer, respira o tema central como nenhum outro filme fez em tempos.

John Patrick Shanley além da autoria e direção da peça, dirige o filme de forma bastante original e não menos interessante: tudo, absolutamente tudo é duvidoso e passa longe de esclarecimentos. Todos os planos escondem algo, guardam algum tipo de significado; as marcações e os movimentos dos atores estão conectados com o que ocorre naquele instante, seja diretamente, indiretamente, explicita ou implicitamente. Se isso é bom? É ótimo. Mais que isso, é uma experiência hipnótica onde o espectador participa da narrativa e se torna um personagem inserido na trama, convidado a compartilhar do que acontece no momento e constantemente induzido a sentir e pensar na dúvida, simplesmente duvidando de tudo que vê. Logo, temos a claustrofóbica sensação de desconfiança sobre todos os personagens, suas motivações e finalmente suas ações.

Estamos no meio dos anos ‘60, em uma escola católica controlada por padres e freiras. Os tempos estão mudando e tradição certamente é o que a diretora da escola, irmã Aloysius (Streep) quer preservar. Essa não é a mesma linha de pensamento do Padre Flynn (Philip Seymour Hoffman), jovem e flexível que acredita que na Igreja como uma instituição mais “amigável”. Desde o início os dois são opostos que indiretamente se atraem e o que o une são as dúvidas da inocente irmã James (Amy Adams). Ela nota que Donald Miller, o único garoto negro da escola é protegido pelo Padre, e certo dia, depois de uma conversa na sala de seu protetor, o menino volta com cheiro de vinho no hálito e se comportando de maneira estranha. Ela recorre a experiência de sua superior. Aloysius tem certeza de que há algo de errado na relação de Flynn com o garoto, o Padre por sua vez nega a culpa e no meio desse embate fica a ingênua freira e consequentemente o espectador.

Fica claro que Shanley se importa e muito com as performances, afinal veio do teatro e tratou de colocar um time de peso para dar a vida a seus personagens – resultado disso é que quatro das cinco indicações que o filme recebeu para o Oscar, são para as magníficas performances de Streep, Hoffman, Adams e a surpreendente Viola Davis que interpreta a mãe de Donald. São poucos minutos, mas ela entrega um sincero e soberbo entendimento do texto e da complexidade de suas falas. Streep é, como sempre, a melhor do elenco – inicialmente ela personifica o “dragão faminto”, a megera e rígida diretora, farta com o comportamento dos alunos e movida pela intolerância. A medida que o filme avança, a irmã Aloysius ganha mais complexidade, mais facetas a serem mostradas e despe-se do maniqueísmo fácil. Obviamente, tal papel não poderia ser de outra pessoa se não a Diva absoluta do cinema atual. Suas nuances traduzem com perfeição tudo que sente a diretora da escola e o questionamento pelo qual esta mulher esta passando, detalhadamente.

Amy Adams vem consolidando uma carreira através da competência e do profissionalismo, e sua delicada e inocente irmã James é mais uma prova de que esses elementos vem sendo usados com inteligência, esbanjando técnica. A imersão no personagem é digna de aplauso e, por vezes, ela consegue roubar a cena.

Philip Seymour Hoffman que sempre nos presenteia com ótimas atuações, não decepciona e trata de responder suas “rivais” de igual para igual. Sempre que confrotado pelas duas freiras, presenciamos um banho de técnica e um verdadeiro duelo de atuações.

A direção e o texto de Shanley também nos permitem fazer outras leituras que nos levam a conclusões de outros temas que ali podem estar sendo tratados, ou seja, há algo mais denso ainda do que a experiência proposta. Mas claro, há um preço por isso: quem não conseguir entrar no jogo do diretor pode não curtir e aí fica com um drama tradicionalista, contido e extremamente carregado de alegorias que podem incomodar pela sua presença constante. O final do filme também pode não se fazer claro, alguns podem achar se tratar de absolvição, de respostas fáceis e fragilidade do roteiro – ainda que seja apenas desfecho mais que coerente onde, o tema tratado atinge seu ápice e chega até aqueles que ainda não tinham sido tocados por ele, anexado a narrativa e também um reflexo do espectador que não tinha até ali entrado no jogo do diretor.

De qualquer forma, ambas as possibilidades nos revelam um filme acima da média, e pelo sim pelo não…

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[Filme] Verônica (Verônica, 2009)

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Andreia Beltrão da um Show, e o filme pode ate não virar um marco, mais pode incentivar futuros projetos a desenvolverem outros gêneros

A História

Andréa Beltrão vive Verônica, uma professora quarentona que vem tendo um desgaste em sua vida pessoal com seu Ex-marido e sua mãe hospitalada, aparentemente sua vida profissional vai bem se não fosse pelo baixo salário, pela exaustão da carreira e pela paciência que tem de criar para controlar a turma da sala em que da aula.

Certo dia, todos os alunos vão embora, exceto Leandro (Matheus de Sã) que logo vem a descobrir o porque da ausência de seus pais naquele momento. Verônica então decide levá-lo para casa situado numa favela, chegando la encontra uma concentração de policiais em frente a porta do menino, um brutal assassinato aconteceu, os pais de Leandro foram mortos por traficantes do moro. Sem muito o que fazer, naquele mesmo momento, Verônica passa a ser perseguida por traficantes e policiais que parecem querer algo de Leandro.

A Trama

A trama tem um rítimo frenético e acelerado, uma dose de humor adequada, é um roteiro muito bem construído (apesar das Gaffies), fica bem claro que Bernardo Guilherme e Maurício Farias (os roteiristas) tiveram a preocupação de tentar se distanciar o máximo possível dos clichês convencionais presentes nos filmes Brasileiros, resultado disso acarretou no primeiro filme de Ação nacional.

A correria das cenas de ação que por sinal precisam de ‘alguns acertos’, lembram tão pouco ‘Tropa de Elite’ pela agilidade em que ocorrem, Mais o que realmente surpreende é que toda a história, toda a trama, ate o jeito de contar e de acontecer continuou com a cara do Brasil, mesmo migrando de um estilo Americanizado. Lembra ate um pouco o filme ‘Corre lola Corre’, pois Verônica e o menino Leandro correm o filme todo, não de um jeito monótono e falso de ser, mas de um jeito real e verdadeiro de acontecer.

A trilha Sonora e a Fotografia

A trilha sonora e adequada, mas ao mesmo tempo arriscada, a baterá rápida e alta tiram o filme da seriedade dramática em algumas cenas, precisou ali escolher os momentos certos para serem inseridos, mais isto é só um detalhe, um detalhe que pesaria muito se o resto da trama não fosse tão satisfatório.

A propósito, Tem uma música instrumental que toca no final que particularmente achei muiito bonita.

A qualidade técnica do filme apesar de parecer ‘pobre’, se enquadrou perfeitamente com o tema e cenário abordado, o acerto não poderia ser melhor, o tom granulado e a montagem das favelas do rio deram um clima Light e bem mais em conta do que muitas produções que vemos por ai, a fotografia não é impecável mais e mais do que aceitável com certeza.

Os Personagens

Acho que neste filme tudo se resume a Verônica e no máximo ao garoto Matheus, quanto a Verônica, conhecemos que ela não é a típica heroína nacional, ela é uma professora cansada, um tanto quanto agressiva e orgulhosa, para qualquer roteirista, amolecer o coração de uma pessoa com essas características ao longo do tempo é uma tarefa desafiadora, é mesmo que o roteiro não tenha á desenvolvido por completo, ficou muito acima da média, ficou muito convincente. O novato Matheus de Sã faz muito bem o menino Leandro, mais faz falta a falta de lágrimas e um sentimento mais real do menino considerando o momento em que se encontrava, algo que iria requerer mais do ator mirim mas que infelizmente não aconteceu.

Atuação

Como ja tinha dito, Andréa Beltrão deu aqui a melhor interpretação da carreira dela (das que já acompanhei), acho que ela esteve muito envolvida pra contar esta história e ela mesmo trás um conhecimento incrível de sua personagem, Apesar de levar 70% do filme nas costas, o elenco secundário formado por Marco Ricca (Paulo – Ex-marido de Verônica) e Giulio Lopes (Coutinho) não são deixados para trás na atuação, porém são deixados mais de lado no roteiro, o que resulta num conhecimento mais profundo do publico para com a personagem principal e o menino Leandro.

Observações

Faltou também um desenvolvimento maior nos ‘vilões’ do filme, algo que talvez nem fosse prioridade ser feito, mais que daria um clima mais grandioso para ele, eles são criminosos por serem criminosos, A preocupação de tentar não ser comparado com longas já conhecidos como ‘Cidade de Deus’ o privou de também pegar bons exemplos, a personalidade dos inimigos era uma delas.

Outra coisa que me surpreendeu um pouco foi a censura, apesar de ser recomendado para maiores de 12 anos, o filme contém não um conteúdo, mas uma linguagem tão pesada quanto ‘Tropa de Elite’ ou ‘Cidade de Deus’, o uso do tradicional ‘Filho(a) da Puta’ e mantido e usado em diversificados momentos, o que também seria estranho se não se usasse num filme cujo tema aborda a favela, o tráfíco e a bandidagem.

O final deixa um pouco a desejar, é bem Brasileiro e bem Americano, poderia ser melhor, Triste ou Feliz, poderia ser melhor. De qualquer forma, é um filme que pode ate não virar um marco, mais que pode incentivar futuros projetos a desenvolverem outros gêneros, a tirarem o cinema nacional dos tradicionais Dramas e Comédias.

 

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09
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[Filme] O leitor (The Reader, 2008)

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O Leitor é um filme difícil sim, mas riquíssimo em significados e interpretações

Stephen Daldry é um velho conhecido da Academia, desde 2000 foram três filmes que lhe renderam três vezes a indicação de melhor diretor. O último, lançado no Brasil só agora em 2009, é o mais difícil e cerebral dessa trilogia; trata-se de O Leitor, adaptação do romance de Bernhard Schlink, que faz um estudo sobre a culpa alemã através do envolvimento entre um jovem inocente com uma misteriosa mulher. Ele é Michael, um ingênuo adolescente que se vê encantado por uma total estranha que o socorreu na rua. Hanna Schmitz é uma misteriosa mulher, de trinta e poucos anos que vive sozinha em um pequeno apartamento. Esse encantamento se deve ao mistério que a mulher representa e que envolve as descobertas sexuais do garoto que logo se tornarão um sentimento de necessidade e apego por parte dele. Certo dia, Hanna some sem deixar vestígios e o reencontro se dá anos mais tarde quando Michael, agora um estudante de direito, assiste ao julgamento daquela mulher: uma guarda da SS, organização da elite nazista responsável pela morte de várias mulheres e crianças.

Basicamente essa é a premissa e contar mais que isso seria estragar as diversas surpresas e emoções que pipocam ao longo da trama.

Começa como um romance atípico, extremamente sexual e de tensão crescente. Daldry e o roteirista David Hare não julgam em momento algum seus personagens, e o sexo é filmado sem o menor pudor com uma entrega comovente dos atores. Mais tarde o filme ganha um tom ainda mais pesado quando se torna um suspense de tribunal acompanhado por uma segunda linha narrativa onde Michael, agora um homem feito, é assombrado pelo passado.

O estilo cru e cerebral com que as emoções são tratadas, tanto pelos personagens como pelo diretor, remetem ao cinema nórdico, em especial a filmografia de Ingmar Bergman que abordava alguns dos temas presentes aqui como a culpa e a incomunicabilidade entre as pessoas. Michael é um personagem acessível, seus pensamentos e sentimentos são de fácil compreensão e sua exposição é constante. Hanna é seu oposto – nunca nos fica claro quais são suas motivações, o que ela está pensando ou sentindo. Sobre esse romance, assolado pela mágoa, é feita uma analogia da culpa que aquele país carrega por ter sido omisso e ignorante por tanto tempo e o medo de se tornar um daqueles monstros que cometeram tantas atrocidades. Em vários momentos fica evidente essa linha tênue que separa essas pessoas e o quão vulneráveis elas são perante as condições em que se encontram.

Quando questionada sobre as razões que a levaram a executar aquelas mulheres, Hanna responde com outra pergunta ao juíz: – “O que você teria feito?” – e o silêncio toma conta do tribunal. Ainda que obtusa, ela traz a tona os medos de todos ali e faz com que esses observem o quão frágil é aquilo que eles chamam de moral. Isso não a absolve de seus pecados, não a torna menos criminosa, mas faz com que todos enxerguem que são separados apenas pelas circunstâncias e que ali não estão monstros mas humanos que cometeram monstruosidades, que antes da guerra todos naquela sala eram iguais. É o início da expiação de toda uma geração barbarizada pela cultura da desumanização.

Hanna ainda vai pagar pelo que fez, ela e Michael sabem disso, e por maiores que sejam seus ressentimentos, no fundo ele tem consciência de que ainda a ama, não importa por quanto tempo ele esconda isso das pessoas, não importa o quanto ele tente mascarar o que sente, é esse amor que conduz suas ações ao longo de sua vida. Ele compreende que merecem estar nas condições que estão, mas ainda assim partilha do desejo íntimo de estarem juntos.

“Não importa o que eu penso, não importa o que eu sinto. Os mortos continuam mortos” diz Hanna, resumindo e expondo essa questão claramente.

De longe, um dos personagens mais interessantes dos últimos anos, a guarda alemã é patética e quando as dimensões disso nos é revelada é impossível ficar indiferente a ela. Kate Winslet entrega-se totalmente o papel, humaniza Hanna e nos mostra a interpretação mais tocante e precisa do ano. A construção da personagem é irretocável, o entendimento e a transposição das emoções, ainda que contidos, tem um impacto absurdo no filme e o que muitos podem chamar de ousadia é na verdade uma completa entrega ao projeto – não só pelo sexo e nudez, mas pela complexidade da personagem que poderia ser mal-compreendida não fossem suas nuances certeiras e meticulosas.

Os dois intérpretes de Michael também estão maravilhosos – na fase adulta, é vivido por Ralph Fiennes que fundamenta sua interpretação quase que totalmente no olhar. Mas o destaque fica mesmo com David Kross de apenas 18 anos. O garoto é simplesmente fenomenal, com uma maturidade ímpar ele passa do entusiasmado e inocente jovem ao adulto mergulhado em traumas e dúvidas, e consegue transmitir toda essa vulnerabilidade de Michael que está presente no texto para o espectador.

Ainda no elenco temos Bruno Ganz em uma rápida participação e a sueca Lena Olin em uma das cenas mais emocionantes do longa. Ambos excepcionais.

A trilha sonora de notas melancólicas composta por Nico Muhly dá as dimensões necessárias a cada cena para que se possa compreender as emoções implícitas na cena. Essa distância que Daldry toma de seus personagens e o espaço deixado por ele, respeitosamente não fazendo juízo de valor algum é uma escolha mais que acertada. É comum em seus filmes esse respeito e apreço pelas pessoas que habitam seus fotogramas, sempre conservando a dignidade e individualidade deles, o inglês realiza sua narrativa com um ritmo único e sua direção é marcada aqui pela simplicidade e confiança no poder das imagens que aliadas a belíssima fotografia de Roger Deakins e Chris Menges constituem uma obra de reflexão única. Muito do mérito vai também para o roteiro de David Hare que conseguiu abranger todos os aspectos relevantes da obra original em um texto rápido, objetivo e que se faz pertinente ainda que inteligível.

O Leitor é um filme difícil sim, mas riquíssimo em significados e interpretações que nos levam a questionamentos perturbadores. É sem dúvida uma obra-prima sobre a humanidade, a perda dela e os fatores que definem quem somos.

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