21
Nov
09

[filme] Lua Nova (New Moon, 2009)

Introdução

Acredito que esta será a primeira vez que comentarei uma adaptação tão badalada sem ouvir poucas e boas de fãs… Acreditem vocês, estava torcendo para que o filme não decepcionasse justamente para não ter que falar mal, evitando assim os vossos maldosos comentários.

Para o alívio dos ‘fãmpiros’, Lua Nova se mostra uma sequência infinitamente superior ao primeiro filme – embora certos erros ainda permaneçam e incomodem um pouco aos mais observadores.

Diferenças entre o filme e o livro

Nunca li um livro da saga antes, e como sempre aqui no site, estou fazendo o papel daquele que apenas avalia os filmes (o que vocês parecem ainda não querer entender) – particularmente, precisaria de mais coragem do que tenho para pegar um dos capítulos, sentar e folhear página após página ate terminar… Simplesmente não consigo, ora por achar o universo de Meyer pouco atraente, ora por nunca me interessar com histórias de vampiros (Deixa ela Entrar foi uma exceção). Mas ate compreendo o porque de um contraste tão forte entre aqueles que o idolatram, e aqueles que o abominam.

Como não sei porcaria nenhuma do que se passa no livro, não sei o que comparar – e qualquer julgamento meu que ultrapasse seus aspectos técnicos, seria mero preconceito.

Sob nova direção

A direção de Weitz trouxe algumas mudanças ao filme em relação a de Hardwicke, contando com a produção, ao todo foram atribuidos alguns elementos que na minha opinião ficaram ainda mais charmosos, tais como as cenas de ação, (que aqui estão infinitamente melhor coreografadas), as atuações (embora que para alguns atores, ainda pareçam teatrais demais), e os efeitos especiais (que, apesar de serem melhores se comparado ao primeiro, ainda estão abaixo da média para um filme rodado em 2009). A única coisa que na verdade pareceu inferior ao primeiro foi a maquiagem pálida dos ‘Cullen’, onde claramente, era visível algumas áreas mal-finalizadas (notem a partir da região do pescoço, onde ele parece se fundir com a cor da pele original).

Novo capítulo, novos personagens

Lua nova faz algo interessante, algo que talvez tenha sido mero acaso. Todos os novos personagens trazidos para o segundo filme incluindo o clã dos lobisomens e dos volturi têm pouco tempo em tela, tão pouco que alguns personagens não têm mais de 2 ou 3 falas – mas por outro lado, consegue fazer deste erro motivo de pouca preocupação – uma vez que Jacob explica a Bella sobre a origem do clãn quilheute (Lobisomens), e Edward da uma pequena introdução sobre quem são os vampiros dos olhos vermelhos (Volturi).

O destaque então fica para os personagens principais, sendo mais específico, Bella, Jacob, Charles e Edward (exatamente nesta ordem). Quanto a família Cullen, estão bem mais apagados em relação ao primeiro filme, podem ate ser considerados dispensáveis nesta sequência (fora Alice, que aparece algumas cenas a mais que outros).

Concluindo

Mesmo que eu não esteja nem 10% perto de ser fã do filme, mesmo que não concorde com muita das boiolagens de Stephenie Meyer, mesmo que deteste o romance bobo e o ingenuo celibado entre Bella e Edward, mesmo que não concorde com essa merda de fazer lobisomens mais limitados que vampiros, mesmo que tenha achado os gritos suínos de Bella sofrendo constrangedores demais, creio que depois do segundo filme, acho que posso respeitar a saga e, de um modo geral, seus fãs – (apesar de acha-los um pouco exagerados). Afinal gostos não se discutem, vocês têm o direito de idolatrar, da mesma forma como outros têm o direito de odiar.

Lua Nova pode ser um filme repleto de defeitos, mas está à 4 passos no caminho certo.

PS  1 :Criaram uma boa desculpa para despir a camisa do Tylor Lautner.

PS 2 : Bella parece uma menina sem cérebro.

PS 3 : Mesmo sabendo que ela vai preferir ficar com o vampiro purpurinado, torço pro Jacob ate o fim.

PS 4 : Kristen Stewart se mostra inexpressível em quase todo filme – mas acidentalmente isso caiu como uma luva para a personalidade de Bella.

PS 5: O filme não revela muitos momentos engraçados, mas fã que é fã vai ver motivo pra rir ate no andar dos personagens.

PS 6: A cena dos Lobos perseguindo Victória na floresta enquanto Charles e equipe perseguem os lobos com a trilha Hearing Damage é super d+.

Confira especial com vídeos, álbum de fotos, informações, curiosidades, críticas, notícias, trilha sonora, comente com avatares  e mais – clique.

14
Nov
09

[filme] 2012 (2012, 2009)

2012
POR : Eduardo Maurício
2012_imagem1“Mais do mesmo – apenas maior”

Os diretores mais conhecidos de hollywood são aqueles que escolheram um gênero pela qual querem ser lembrados, Assim como Steven Spielberg na ficção científica, como Scorsese em seus thrillers dramaticos, Michael bay nos blockbusters e Woody Allen em seus dramas românticos – Roland Emmerich se consagra por conta de seus filmes catástrofes. Visto que o diretor destrói o mundo como ninguém desde ‘Independence Day’, ‘Godzilla’, ‘Impacto Profundo’, ‘O dia depois de amanhã’ e seu mais recente e ambicioso trabalho ‘2012′.

Porém, nota-se que Roland talvez não tenha sido a escolha perfeita para comandar algo deste porte, uma vez que, é necessário uma ótima combinação não apenas dos efeitos, como também do roteiro para falar do fim do mundo – o que não é o caso do diretor, já que ele parece se focar mais na destruição do que na reação humana em geral (o que praticamente seria o mais importante). As reações que vemos na tela, seja vinda de personagens principais ou coadjuvantes, soam falsas demais para serem levadas a sério, para completar – Emmerich forra tudo com longas e mentirosas sequências de fuga acompanhadas por uma trilha de filme aventureiro.

Não não…Não estou sendo chato, se você raciocinar bem, um filme onde morre milhões de pessoas e ainda ganha uma censura tão baixa só pode significar uma coisa. Blockbuster. Prova esta que, não só vemos na grandiosa sequência de fuga em Los Angeles (galeria de vídeo) ou nos meteoros que destroem por completo o furgão, como também em seu final, onde uma menininha que, naquela altura em que deveria estar traumatizada com tudo o que viu e passou, solta uma pérola dizendo – Pai, eu não uso mais fraldas… Como se fosse comum ver milhões de pessoas sendo engolidas pela terra, fogo, esmagadas ou caindo de alturas exorbitantes.

Para piorar, Emmerich protege seus personagens principais de uma forma absurda, não só são sempre os presentes testemunhos de todos os ataques possíveis da natureza e do acaso, como também são sempre os únicos a sobreviver – da forma mais heróica e com direito a trilha heróica também.

Mas se tratando de estética, Emmerich se mostra um cara perfeccionista, os esforçados efeitos especiais tornam o filme grandioso, e de alguma forma, o salvam do que deveria ser um desastre total. A única coisa alias que o diretor parece ter evoluido em relação aos seus filmes anteriores.

No fim, 2012 pode ate valer o ingresso, para aqueles que se contentarem em ver apenas destruição. A sensação que ficou em mim, e que deixei de temer o que ‘reza a lenda’ vir acontecer em 2012, simplesmente por achar o filme pouco sério e realista.

PS1 : Roland é medroso… ou em palavras mais gentis, um cara positivo… Eu sabia que ele não teria coragem…

PS2 : O filme tem umas cenas bem humoradas – a maioria envolvendo o personagem de Woody Harrelson e o russo Yuri.

PS3 : Apesar de ter achado bem mentiroso, adorei a sequência de Los Angeles (Confira na galeria de vídeos).

PS4 : E o oscar de melhores efeitos visuais vai para… 2012!

PS5 : Cristo Redentor demolindo não tá com nada! ceninha fraca.

PS6 : Na coerência de Emmerich, os coadjuvantes (principalmente os egoistas) devem todos morrer – e os mocinhos sobreviver – cai na real!

maisoumenos

ESPECIAL, 4 vídeos, álbum de fotos, curiosidades, informações, trilha sonora e mais sobre o filme : www.xcine.com.br/filme_2012.html

10
Nov
09

[filme] Jogos Mortais 6 (Saw 6, 2009)

jogosmortais6
POR : Eduardo Maurício
jogosmortais6_imagem1“O primeiro deveria ser o único a existir”

Como fã, por tempos defendi a franquia Jogos Mortais – ao invés de só me focar nos erros do filme, preferi ver o lado positivo de todas as sequências, levando em conta o prazo que a produção tem para finalizar um filme inteiro e também, considerando o desempenho do gênero terror que está cada vez mais fraco.

Mas também confesso que a cada ano que passava, meu fanatismo pela série acabava – e apesar de sempre tentar parecer inteligente, as sequências nem eram mais tão surpreendentes, e o motivo que me levava a ver fora ‘completar o circulo’ que já havia começado, eram as cenas de violência.

Ano após ano mantive minha esperança na série, esperança de que os roteiristas responsáveis tomassem consciência do que estavam fazendo e, finalmente, alterassem o curso do Jogos Mortais voltando a fórmula que os fez chegar tão longe. O terror psicológico do primeiro filme. Hoje, nesta sexta sequência, vejo que a mente dos caras não muda, mesmo em meio a tantas críticas eles parecem se fechar e seguir o errado, o que acreditam estar dando certo – o terror caricato, sanguinário e surreal do segundo, terceiro, quarto e quinto filme.

O que quero dizer e que jogos mortais não mudou nada desde o segundo, as vítimas trancafiadas dentro de um porão sendo testadas pelo já falecido Jigsaw seguem uma série de jogos onde devem decidir quem deve viver e quem deve morrer, assim como fez Jeff no terceiro, como fez Rigg no quarto, como fizeram as cobaias no quinto – e assim como vai fazer William neste sexto.

É uma pena que a franquia esteja se esticando tanto, não era pra ser assim. É não so a série parece estar sendo afetada por isso, o astro principal Jigsaw que o diga. Os roteiristas estão segurando tanto seu personagem que o velhinho já está ate se contradizendo, e pior, está mostrando as falhas em sua tese – exemplo: quando Hoffman pergunta a uma sobrevivente que se mutilou se ela aprendeu a dar valor a vida apos o jogo – ela responde injuriada : ‘Como posso aprender com isso’ mostrando o braço amputado. Da mesma forma como Jigsaw também se contradiz quando faz a vida de um punhado de pessoas depender da escolha de um homem… Ué? a escolha não era pra ser individual? que escolha essas pessoas tem então se não depender unicamente da sorte?

E pra quem pensa que por causa da pouca arrecadação que jogos mortais 6 teve os produtores vão parar por ai, estão enganados. A queda tem explicação:

1 – O filme não foi devidamente divulgado.

2 – A censura é para maiores de idade.

3 – É difícil alguém que nunca acompanhou a saga por completo, pagar para assistir uma sexta sequência tendo em mente que todos os filmes da série são interligados e é necessário assistir um para entender outro.

4 – E, a produção gasta muito, mas muito pouco para fazer um filme, ja a arrecadação é muito maior, por mais baixa que seja.

Portanto já está ate confirmado, JM 7 vem ai, pegando a onda do 3D, JM 8 também, e quem sabe, ano que vem ou ate 2011, JM 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15…33 não sejam confirmados também… Mas pra mim já chega – vou continuar acompanhando todos – mas sem o mesmo fanatismo de antes.

PS1 : A violência está cada vez mais caricata, embora aqui sendo bem melhor realizada em relação ao quinto filme, as pessoas optam por escolhas difíceis sem pensar duas vezes, sendo que no primeiro filme, foi preciso trabalhar no consciente dos personagens e criar um clima de desespero para que eles se auto-mutilassem. Portanto o primeiro filme na minha opinião foi sem dúvidas o mais realista ate agora.

PS2 : Quero James Wan na direção e Leigh whannell no roteiro de volta (responsáveis pelo primeiro filme), Só assim vou voltar a acreditar na franquia de novo.

Ao invés da nota – observe o gráfico abaixo :

jogosmortais_series

Para conferir vídeos, álbum de fotos, curiosidades, informações e mais sobre o filme : www.xcine.com.br/filme_jogosmortais6.html

07
Nov
09

[filme] 500 dias com ela (500 days of Summer, 2009)

500diascomela
POR : Lucas Procópio
500diascomela_imagem1“(500) Dias Com Ela é único, tem seu frescor e sua marca”

Tom Hansen cresceu acreditando que não seria feliz até encontrar o amor de sua vida. Summer Finn não compartilhava dessa crença e a coisa que mais amava era seu longo cabelo negro e a facilidade com que podia corta-lo sem sentir culpa. Summer começa a trabalhar como secretária do chefe de uma empresa de cartões de felicitação. Um dos criadores desses cartões é Tom. Tom se apaixona por Summer. Summer não se apaixona por Tom.

Os 500 dias do título referem-se ao período de Summer na vida de Tom, e é também a base da estrutura narrativa do roteiro, que assume a não-linearidade desde o início, selecionando dias aleatórios ora para complementar, ora para contrastar, ora para enfatizar os eventos que vão formando o raciocinio proposto acerca do relacionamento entre duas pessoas de diferentes ideologias. Nesse aspecto o filme consegue um feito que já o coloca figurando entre os grandes títulos do romance no cinema: ser racional sem amargura na composição. Pelo contrário. Tudo no filme é muito, mas muito adorável e encantador.

Os créditos vão metade para o espertíssimo roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber, e metade para o estreante na direção Marc Webb. Enquanto o roteiro cumpre sua proposta da forma mais graciosa possível juntamente com diálogos adoráveis, Webb se mostra um diretor e tanto, com um ritmo invejável e um controle sobre a estética de fazer cair o queixo – e isso sem nunca parecer forçado.

Seguindo a narrativa irregular do roteiro, Webb passeia pelos mais diversos estilos e brinca com tudo que está ao seu alcance, sorrateiramente confeccionando um estilo único e próprio ao filme.

O texto flerta com a metalinguagem, mas ela logo é substituída por um elemento de mais ampla identificação com o público em geral: os cartões que Tom cria é onde está alegorizada sua idealização que aos poucos vai perdendo suas camadas de deslumbre. São sacadas como essa, juntamente com a criatividade latente de Webb que o público é conduzido por lugares divertidíssimos e originais. A estrutura, o ritmo e a proposta lembram, e muito, “Noiva Nervosa Noivo Neurótico” de Woody Allen, com a inserção da semiótica explícita e exarcebada na composição da estrutura irregular, incluindo-se aí o fluxo de consciência. Mas, por maior que seja a inspiração no clássico de ‘77 e por mais que identifique-se elementos em comum entre os dois longas, (500) Dias Com Ela é único, tem seu frescor e sua marca.

Tudo no filme funciona, ainda que alguns elementos com maior brilho que outros, porém todos os personagens estão ali com algum propósito e, na prática, seus intérpretes correspondem com carisma e competência. Os dois protagonistas fazem uma conexão quase que imediata com o público. Joseph Gordon Levitt ofusca um pouco Zooey Deschanel, mas ambos compõe seus personagens com placidez e naturalidade, sem arroubos de excentricidade, tão típicos de filmes indie, e saem-se muito bem.

Esqueça o famigerado rótulo “filme água-com-açucar”. Não consigo me recordar de romances, nessa década, tão encantadores e inteligentes dentro de suas propostas, tampouco quero ser pragmático, mas creio que (500) Dias Com Ela já figura um adorável top de filmes que nos fazem querer suspirar e sorrir. É um filme tanto para os Tom’s e Summer’s da vida real: um filme apaixonado e apaixonante.

excelente

Para conferir vídeos, álbum de fotos, curiosidades, informações e mais sobre o filme : www.xcine.com.br/filme_500diascomela.html

07
Nov
09

[filme] Código de Conduta (Law Abiding Citizen, 2009)

codigodeconduta
POR : Eduardo Maurício
codigodeconduta_imagem1“Tinha potencial para ser um filme muito melhor”

Law Abiding Citizen, (Cidadão cumpridor da Lei) e mais do mesmo. Começamos com um homem inconformado com o sistema judiciário apos ver o assassino de sua família escapar ileso sem sérias punições. Sabendo da corrupção escondida por de trás da lei, decide então armar uma vingança declarando guerra ao estado por sua negligência… Clyde assassina brutalmente o assassino de sua família e em seguida, é pego pela polícia e passa a ser investigado pelo mesmo advogado corrupto que cuidou do caso há 10 anos atrás, Nick (Jamie Foxx).

Conhecedor das leis, Clyde brinca com o sistema judiciário ao mesmo tempo que passa a te-los em mãos, os avisando do ’superplano’ que montou antes de ser preso, o plano que esta matando geral corruptos a fora e deixando em pânico os ainda vivos. Mas é quando Clyde decide levar tão a fundo sua vingança que os papeis se invertem, o herói (Butler) vira o vilão, e o ate então vilão (Foxx) se transforma no herói – é a partir dai também que o filme começa a desandar e em certos momentos se torna cansativo, chega ao ponto de se tornar ate improvável – (Se antes o telespectador admirava as primeiras e realistas cenas, logo passará a duvidar das que procedem o filme).

Desta vez pensei seriamente que não veria um Gerard Butler ‘ninja’ como de costume – do tipo que sai atirando e matando mil. Ingenuidade minha, parece ate que os roteiristas de Hollywood sentem tesão em fazer de Butler um ’superhomem’, a maioria de seus filmes, por mais bom que esteja, uma hora aparece um coadjuvante para revelar o passado de seu personagem – no caso deste, ‘Se clyde te quiser morto, você está morto’ diz um de seus colegas antigos, Porque Clyde era o cérebro e maior estrategista da marinha e – Blá, blá, blá. Ele não podia ser simplesmente um cara normal?

Algumas cenas são de tirar o chapéu, como Clyde se defendendo no tribunal e, apos conseguir a liberdade, voltar a atacar a juíza que o libertou com palavras verdadeiras. Ou a cena final, onde é revelado o truque que Clyde utiliza para matar mesmo estando preso. (Quando a verdade surgir, vamos nos sentir bobos de tão óbvio).

Apesar destes erros não tirarem por completo a graça do filme, Law Abiding Citizen tinha potencial para ser muito melhor, ‘Bíblico’, O lado bom e que Butler faz aqui o melhor papel desde Rocknrolla, pena que um meio termo não seja exatamente a melhor maneira de se recomendar um filme.

maisoumenos

Para conferir vídeos, álbum de fotos, curiosidades, informações e mais sobre o filme : www.xcine.com.br/filme_codigodeconduta.html

06
Nov
09

[filme] O Solista (The Solist, 2009)

osolista
POR : Lucas Procópio
osolista_imagem1“O mérito vai todinho para Wright que sabe extrair as mais belas e acachapantes imagens de um material sem o menor fôlego narrativo”

A função de um diretor em um filme é de longe a mais importante e a que mais oferece possibilidades.

Existem muitos casos em que uma boa direção consegue subverter um roteiro fraco e transforma-lo em um bom filme, afinal, seu trabalho é traduzir em imagens a trama tecida em palavras.

Joe Wright não é apenas um ótimo tradutor como sabe elevar um texto à potência máxima de qualidade quando o traduz para as imagens. Provou isso em Orgulho e Preconceito dando todo um frescor à adaptação de Jane Austen e em Desejo e Reparação onde criou uma das narrativas visuais mais interessantes da década baseado na obra-prima de Ian McEwan.

Em seu primeiro filme em solo americano, o jovem inglês caiu em uma armadilha. Se antes Wright tinha como aliados dois brilhantes e inspiradores textos, aqui ele enfrentou exatamente o oposto: sua missão foi traduzir em imagens a péssima adaptação de uma autobiografia extremamente egoncentrista e paternalista. A roteirista Susannah Grant não só tratou de enfatizar tais elementos em seu roteiro, como intricar a trama de tal forma que não se pôde sequer saber com clareza a que o filme se propõe.

Narrando a história verídica de Steve Lopez, famoso jornalista de Los Angeles, que se comove com o dom de Nathaniel, um morador de rua que mostra paixão e talento absurdos para a música, o filme nos faz questionar o tempo todo o seu propósito. Não há foco, não há rumo. A única coisa que fica clara é que o sentido primário foi a auto promoção e Robert Downey Jr. não consegue nos convencer do contrário na pele do jornalista bondoso.

Wright erra usando sua técnica de potencialização – a trama pedia o máximo de contenção e sutilezas, já que Grant usa todo tipo de artíficio narrativo para contar a história de Lopez. E dá-lhe fluxo de consciência misturado com flashback justificativo.

O Solista é, portanto, um filme que funciona em fragmentos, e o mérito vai todinho para Wright que sabe extrair as mais belas e acachapantes imagens de um material sem o menor fôlego narrativo. São momentos sublimes, alguns grandiosos, outros de composição visual simples porém elegantemente conduzidos, que salvam os sofríveis 117 minutos. Uma pena. O verdadeiro solista aqui é Joe Wright, brilhante e talentoso, tocando em seu instrumento uma partitura composta por notas incapazes de formar melodia alguma. Entretanto, suas duas grandes performances estão disponíveis para locação e merecem ser aplaudidas de pé todas as vezes que forem “escutadas”.

bom

Para conferir vídeos, álbum de fotos, curiosidades, informações e mais sobre o filme : www.xcine.com.br/filme_osolista.html

06
Nov
09

[filme] À Procura de Eric (Looking for Eric, 2009)

aprocuradeeric
POR : Lucas Procópio
aprocuradeeric_imagem1“Não é algo típico na filmografia do diretor tal redenção do personagem e talvez por isso ela se dá de forma tão arrebatador”

Eric é um carteiro, já na casa dos cinquenta, que além do desmotivador emprego tem de aturar o comportamento hostil dos enteados e a fobia de encontrar a mãe de sua filha mais velha, que ele deixou sem maiores explicações nos primeiros meses da garota. Com a filha Eric mantém uma relação sadia de pai e filha, mas evita o quanto pode o contato com a ex. No início acompanhamos Eric dirigindo na contramão, em pânico, fugindo do nada. O conflito se instalou quando, para terminar seus estudos na universidade, a filha pede que os pais se revesem para cuidar de sua filha.

Em um momento de profundo desespero, Eric pega um pouco de maconha do enteado mais velho e, alucinado, vê seu ídolo do futebol, o jogador francês Eric Cantona, se materializar em seu quarto.

Durante o filme, seguindo os conselhos do xará atleta, Eric começa a encarar os conflitos que sempre evitou.

Trata-se de um filme de formação, tardia, mas ainda assim uma formação. Daí o título À Procura de Eric, pura ambiguidade.

O veterano diretor Ken Loach respeita a sutileza com que a trama é tecida pelo roteiro do parceiro de filmografia Paul Laverty. E não se trai por um só segundo: todos os eventos se dão de forma muito natural, com uma sensibilidade ímpar, executados em baixa voltagem dando o tempo e espaço necessário para que os personagens possam atingir o que almejam e, os atores por tabela.

O desconhecido Steve Evets compõe com maestria um Eric absolutamente crível, em uma contenção interpretativa que denota a solidão de seu personagem sem torna-la explícita ou óbvia. O elenco coadjuvante o acompanha e até mesmo o jogador, o próprio Eric Cantona, se sai muito bem interpretando a si próprio.

As sutilezas de À Procura de Eric emulam a idéia que o filme passa de ser um retrato da vida real, conduzido pelo consciente do personagem, em constante mudança, transposto em nuances. É então que, sem que o espectador perceba, Loach vai levando-o para a conclusão que o título sugere.

Não é algo típico na filmografia do diretor tal redenção do personagem e talvez por isso ela se dá de forma tão arrebatadora, ainda que envolta em placidez.

excelente

Para conferir vídeos, álbum de fotos, curiosidades, informações e mais sobre o filme : www.xcine.com.br/filme_aprocuradeeric.html

31
Out
09

AVATAR – NOVO TRAILER HD LEGENDADO

especial_avatardayPessoal, demorou mas consegui – ai está – com exclusividade – o único (eu axo) trailer legendado de Avatar…

Bom, como o WordPress só aceita youtube e o trailer está no Vimeo -

 

http://www.xcine.com.br/noticia_11.html

31
Out
09

[filme] Besouro (Besouro, 2009)

besouro

Por : Eduardo Maurício

besouro_imagem1“Abrindo novas portas no cinema Brasileiro”

Sempre procuro apoiar produções que de alguma forma fogem dos padrões Brasileiros, tais como comédias, romances, dramas e favela movies – é sempre bom ver na nossa cultura (as vezes esqueço que não sou Brasileiro) um diferencial – o que também nos faz acreditar numa possível evolução do cinema nacional. Ainda este ano tivemos o ótimo ‘Verônica’ estrelado por Andréa Beltrão que, apesar de ser taxado como um favela movies – foi o mais próximo (ate aqui) que o cinema nacional chegou do gênero ação (Sem se camuflar no drama realista como fez Tropa de Elite).

Adaptação do livro ‘Feijoada no Paraíso’, o filme conta a lenda de Besouro, herói capoeirista que foi responsável pela queda do recôncavo em 1920 onde os negros ainda eram tratados como escravos. Estreando na direção cinematográfica – João Daniel Tikhomiroff explora a cultura Brasileira de forma nunca antes vista, envolvendo artes marciais e misticismo orixás de maneira convincente chegando a remeter grandes sucessos internacionais como ‘O tigre é o Dragão’ – Alias, o mesmo coreógrafo ‘Huen Chiu Ku’ foi usado aqui também.

O elenco de atores pouco conhecido foi uma escolha sábia também, levando em conta que a maioria realmente jogava capoeira – tornando assim o projeto ainda mais ambicioso, Tikhomiroff abusa o máximo possível de tomadas sequênciais tornando tudo muito mais realista, embora que alguns problemas técnicos sejam claramente visíveis. Mas levamos em conta que este é o primeiro projeto (oficial) de ação na cultura Brasileira, todos esses erros não devem ser levados tão a sério.

Um passo largo e ousado como ‘Besouro’ foi o que o cinema Brasileiro precisava para abrir este caminho de incertezas que parece amedrontar a maioria dos cineastas desencorajados – quem sabe agora este país não sai da mesmice.

PS1 – Quero uma ‘Dinorá’ pra mim.

PS2 – Apesar de achar pouco empolgante o final – adorei a última cena.

PS3 – Exu é foda.

PS4 – A melhor luta foi sem dúvidas a de Quero Quero contra Besouro – muito bem coreografada.

PS5 – Nunca fui muito fã dessa coisa de mocinha ficar sempre com o mocinho…
Por isso acho que Dinorá não precisava necessariamente deixar Quero Quero para amar Besouro.

otimo1

Para conferir vídeos, álbum de fotos, curiosidades, informações e mais sobre o filme : www.xcine.com.br/filme_besouro.html

31
Out
09

[filme] Michael Jackson : This is It (This is It, 2009)

thisisit

Por : Eduardo Maurício

thisisit_imagem1“Deveria ter sido lançado na TV aberta”

Virou moda adorar Michael Jackson depois de sua morte, parece que o mundo todo ficou órfão. A mídia que não é nada sonsa, viu da dor dos anônimos que ate então não sabiam que amavam o cantor, uma grande fonte para sugar dinheiro. E desde então Dalé uma leva de materiais, cds, músicas (plagiadas ou não) e este… This is It – o repentino filme que mostra os bastidores do ensaio que Michael fez antes de morrer, onde nele vemos sua preparação para a turnê mundial que deveria acontecer.

O filme juntou uma quantidade de músicas conhecidas do astro como Thriller (em nova versão), Earth Song (minha favorita), Smooth Criminal e outras, mas o que mais chama atenção em This is It, é como as imagens nos fazem pensar sobre como seria encantador se essa turnê fosse realmente acontecer, o número de efeitos e coreografías que devem ter custado milhões dariam muito certo para M.Jackson, seria grandioso.

Mas This is It é apenas isso e nada mais, fora claro algumas cenas que vão tocar o fundo do coração dos fãs e dos mais sensíveis. Continuo acho que o projeto visou apenas o comercial, porque se quisessem realmente alcançar e comover o público em grande escala, deveriam exibi-lo na TV aberta, para todo mundo ver – e não ganhando grana as custas do falecido. Vocês não percebem? É tudo uma questão de como ganhar dinheiro.

Não quero que pensem que sou insensível se não me arrepiei tendo a experiência mais próxima que terei pro resto da vida com o astro do Pop, não me xinguem se achei o filme cansativo, mas sendo franco, This is It nada mais é que um amontoado de imagens inéditas, de um show que na verdade nem é um show…É um ensaio, é pagar pra ficar 2 horas sentado vendo um ensaio (por mais agradável que seja ver M.J dançando)… Tem que ser muito fã pra no mínimo não querer sair da sala.

Antes de me xingar, quero que saiba que Michael Jackson continua sendo o Rei do Pop, e This is It é apenas um filme.

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